sábado, 14 de julho de 2007

Pensando

Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam... Não é bonito, mas é profundo.

O ouro que não virá

Guilherme meneghelli, Felizburgo, Minas Gerais

Das cores da festa

Jose Roberto Aguilar, JArdim de van Gogh, óleo sobre tela, 2006

A "VEJA" errou desta vez ....

" HOLOFOTES
Lula deve ser ‘figura fácil’ nos eventos dos Jogos
13 de Julho de 2007 | 09:34

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá aproveitar a exposição dos Jogos Pan-Americanos do Rio na mídia e comparecer a vários eventos. Ele estará presente, por exemplo, na cerimônia de abertura, nesta sexta, no Maracanã, no almoço com a equipe brasileira na Vila Pan-Americana e pode até entregar a primeira medalha a um atleta do pais – possivelmente para Poliana Okimoto, da maratona aquática, neste sábado.

...

O Ministério dos Esportes argumenta que a exposição se deve à significativa participação da administração federal nos jogos. Dos cerca de 3,7 bilhões de reais que a organização consumiu, 1,8 bilhão de reais vieram dos cofres federais. Em 2002, os custos do Pan foram estimados em apenas 172 milhões de reais."


Será que ainda vai aparecer após as vaias ?

A festa vista lá de cima

Sobre a abertura do PAN, o jornal britânico The Times abre a reportagem dizendo que a organização dos Jogos revelou problemas endêmicos ao Brasil, "principalmente a burocracia corrupta e ineficiente" do país.

Segundo o jornal, o Brasil investiu tempo e dinheiro para sediar o evento esportivo numa tentativa de convencer o mundo de que tem condições de organizar a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, mas "o orçamento para o Pan-Americano saiu de controle devido a má administração e corrupção, tornando o preço final para o contribuinte cerca de oito vezes mais caro que as estimativas iniciais".

Dá para dizer que não ?

Das duas uma : ou somos péssimos em montar um orçamento (R$ 700 milhões) ou a corrupção esteve mesmo presente, pois o custo dos jogos foi de mais de R$ 3,5 bilhões.

Recordação (do momento que nunca existiu)

Abriram o PAN e as gargantas

mg

Imaginação

Clique na imagem para ampliá-laAfanásio

A falência do ensino público

Josué Maranhão

BOSTON
– É muito provável que a geração dos brasileiros que ainda não ultrapassaram os quarenta anos de idade não imagine que um dia já existiu no Brasil um sistema público de ensino de primeira qualidade.

É inimaginável para os mais novos que um dia tenha existido escolas de ensino público gratuito, com o antigos curso Ginasial e curso Colegial melhores ou, no mínimo, equivalentes às mais prestigiadas, famosas e caríssimas escolas ou colégios particulares. Aliás, geralmente as escolas particulares eram vistas com reservas. A maioria era apelidada de “PP”, ou seja: pagou, passou! Era aluno da escola particular o filhinho do papai que já nascia rico e não precisava estudar para vencer na vida.

Não é de admirar que as gerações mais novas não acreditem que antigamente era possível concluir o chamado curso Colegial em uma escola pública e, sem qualquer problema, submeter-se ao exame vestibular. Não era necessário fazer “cursinho” pré-vestibular, gastar fortunas, para conseguir ingressar em uma universidade, fosse qual fosse, nos centros mais adiantados como Rio de Janeiro e São Paulo, ou nos locais mais distantes, como no Nordeste ou no extremo Norte. Aliás, ninguém estudava em “cursinho pré-vestibular” por uma razão muito simples: não existia “cursinho pré-vestibular”.

Felizmente sou de uma geração antiga, da época em que o bom ensino público era uma realidade e não uma utopia como devem imaginar aqueles que têm menos de quarenta anos. Estudei, no curso primário, em Grupo Escolar do Estado e, durante a década de cinqüenta, fui aluno do antigo Atheneu Norte-riograndense, colégio estadual, em Natal, onde fiz os cursos ginasial e colegial. Fiz vestibular, sem maior esforço e sem precisar virar noites estudando. Aliás, nem poderia fazer isso, uma vez que desde os 14 anos, quando ainda fazia o curso ginasial, já trabalhava à noite em jornal e tinha aulas durante o dia.

Estudei e me formei na antiga Faculdade de Direito de Natal, inicialmente do Estado e depois integrada à Universidade Federal, ou seja, escola pública. Depois disso, ainda iniciei o mestrado na Universidade de Recife, também escola pública. Fiz outros cursos de pós-graduação, inclusive na USP.

Resumindo: nunca, jamais, em tempo algum, meus pais ou eu gastamos um centavo sequer pagando escola para mim. Isto não me impediu de conseguir o título de bacharel em direito, ter sido procurador, juiz e advogado, além de ter dado aulas em escolas de jornalismo e direito, plenamente vitorioso profissionalmente, quer na área jurídica, quer no jornalismo.

Situação idêntica ocorreu com minha mulher, que trilhou o mesmo caminho, desde o Grupo Escolar, até a Universidade de São Paulo. Com os conhecimentos amealhados no ensino público, alcançou posições invejáveis, profissionalmente, quer no Brasil, quer no exterior.

Mas, o que tem a nossa história com a realidade atual? Muito. Senão, vejamos:

1.“Faltam 246 mil docentes no nível médio” (“Jornal da Tarde”, de S.Paulo);
2.””Jovens brasileiros não lêem” (jornal “O Globo”, do Rio de Janeiro).


As duas manchetes são apenas uma amostra da falência total e absoluta a que submeteram o ensino público no Brasil. Há mais de trinta anos que o ensino público foi abandonado pelos governos em todos os níveis, relegado a segundo plano, como se fosse algo absolutamente desnecessário.

Faltam recursos, faltam professores, faltam instalações. Enfim, falta tudo!

O que mais falta, no entanto, é uma conscientização política dos governantes, no sentido de que uma nação de analfabetos, ou semi-alfabetizados jamais poderá se transformar em um país desenvolvido.

Se a estabilidade econômica, o progresso industrial, o fortalecimento comercial interno e externo e outros fatores são importantes, nenhum deles é tão essencial quanto o aprimoramento do sistema de ensino público.

A realidade é que o descaso com o sistema de ensino é criminoso. Os governos, a partir, ainda, da época da ditadura, até atualmente, falam em desenvolvimento, em crescimento, na transformação do Brasil de país subdesenvolvido em país emergente, até chegar ao estágio de primeiro mundo, mas abandonam o requisito essencial e indispensável: o sistema de ensino.

Desde o regime militar até a atualidade, o ensino foi relegado a segundo plano, certamente por conta da estratégia suicida, criminosa e oportunista de imaginar que a permanência das camadas mais pobres no analfabetismo as tornará sempre mais maleáveis, mais fáceis de controlar, reduto eleitoral certo para as campanhas populistas.

A reportagem de Maria Rehder, do “Jornal da Tarde”, com o título 1 ,acima transcrito, tem trechos alarmantes quanto ao sistema de ensino. Vejamos, por exemplo:

“As escolas públicas brasileiras sofrem um déficit de 246 mil professores, levadas em conta as necessidades do segundo ciclo do ensino fundamental (5ª a 8ª séries) e do ensino médio. ...Seria preciso contratar em caráter emergencial quase 250 mil professores, mas falta mão-de-obra qualificada.
Para atender à demanda, o Ministério da Educação (MEC) deveria ter garantido a formação de 55.231 professores...na década de 1990. Mas só foram licenciados 7.216. Esses são dados do relatório “Escassez de Professores no Ensino Médio: Soluções Estruturais e Emergenciais”...Podemos dizer que já existe um apagão de professores no ensino médio, pois o número de licenciados por disciplinas não cobre a demanda das escolas públicas”, disse o prof. Mozart Neves Ramos, um dos autores do relatório”


O reflexo alarmante do abandono em que vive o ensino público é a absoluta falta de hábito dos jovens quanto à leitura. É o tema da reportagem aludida no título 2, acima.

Foram ouvidos em uma pesquisa dois mil estudantes universitários, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entre os paulistas, 34% não lêem com freqüência, 18% não gostam de ler e 16% lêem raramente. Não Rio de Janeiro, 15% nunca leram um livro não didático, 12% leram apenas 1 e 36% leram entre 1 e 3 livros não didáticos.

Os números são alarmantes. A falta do hábito de leitura é uma conseqüência da deficiência do ensino e o resultado aparece na qualidade dos textos escritos pelos universitários: é péssima. É uma conseqüência lógica: quem não lê, jamais vai aprender a escrever bem.

Não adianta adotar paliativos oportunistas, demagógicos e, principalmente eleitoreiros, com o objetivo de esconder a realidade, quando são estabelecidas quotas em universidades para estudantes oriundos de escolas públicas ou para os negros.

Não seria preciso ir muito longe: bastaria recuperar o ensino público, pelo menos aos níveis em que se mantinha até à década de sessenta. Gratuito e acessível a todos, o ensino público formaria estudantes aptos a ingressar na vida profissional, ou encaminhar-se às universidades públicas, independentemente da situação econômica, ou da cor da pele.

No meu tempo, pobre ou rico, branco ou preto, não importava. Era bastante estudar no ensino público e ter vontade de ser gente, para ser vitorioso

Evoluindo (sem sair do mesmo lugar)

João Pedro Stedile, líder maior do MST, disse que o latifúndio deixou de ser o principal inimigo do movimento e elegeu as empresas transacionais e o governo Lula como principais inimigos na luta pela reforma agrária e mudança do modelo econômico em vigor no Brasil

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Pensando (após a abertura dos Jogos)

"Nunca se ache demais, pois tudo o que é demais sobra, tudo o que sobra é resto e tudo o que é resto vai para o lixo."

(Anônimo)

Parachoque do dia

"BRASÍLIA! RESPEITE NOSSO BRASIL...!"

Inspiração para o PAN

Albert Elckout, Cabaças, frutas e cactus

Vaias (ou Um grito de alerta)

Em tempo de Renam

Fabiana Kurikv, AE

A fábula da vaia

Uma mula, sempre folgada, pelo fato de não trabalhar e mesmo assim receber uma generosa quantidade de milho como ração, era orgulho só dentro do curral; se portava como se fosse o mais importante animal do grupo. Era pura vaidade e arrogância. Senhora de si, dizia a si mesmo:

Meu pai com certeza foi um valoroso e Belo Raça Pura. Me sinto orgulhosa por herdar toda sua graciosidade, resistência, espírito e beleza.

Pouco tempo depois, ao ser levada à uma longa jornada, como simples burro de carga, ao sentir-se muito cansada, exclama desconsolada:

Talvez tenha cometido um erro de avaliação. Meu pai, pode Ter sido apenas um simples Asno.

Autor: Esopo


Moral da História:
Ao desejar ser aquilo que não somos, estamos plantando em nós a semente da frustração.

Em cartaz (Cine Teatro Maracanã)

A HORA DO ESPANTO (Fright Night, EUA, 1985)

Diretor: Tom Holland
Elenco: Chris Sarandon, William Ragsdale, Amanda Bearse, Roddy McDowall, Stephen Geoffreys, Jonathan Stark.

Neste filme de terror bem-humorado, um adolescente fã do gênero desconfia que seu vizinho seja um vampiro e decide investigá-lo.

Para cantarolar no banheiro

Danilo Moraes E Ricardo Teté - Viva Vaia
Música: Danilo Moraes, Letra: Ricardo Teté, Arranjo: Danilo Moraes, Ricardo Teté, Marcelo Jeneci, Guilherme Kastrup, Márcio Arantes E Douglas Alonso
Viva Vaia

Quem pediu silêncio no Maracanã?
Nem um minuto nem um milênio
Silêncio no Maracanã
Quem morreu?
Quem pediu silêncio
No Maracanã se engana
No Mará

Se nem câmara anecóica que o pariu
Se nem no credicard hall que o pariu
Quem pediu silêncio
Quem inventou o Brasil?

Silêncio, eu aceito argumento
Quem inventou o Brasil, registrou patente?
Se quiser dar queixa com o ministro,
Aproveite a deixa

Silêncio no Maracanã, não

Porque o samba e surdo
E os tamboris agoniados
Sempre na marcação
Silêncio, não
Quem é que leva a alegria para
Milhões de corações brasileiros?

Eu aceito o argumento
Um minuto de silêncio
Onde está o morto?
Onde está o surdo?
Onde é o túmulo do bamba?
Um minuto de silêncio um minuto de samba

Quem pediu silêncio ouviu a vaia
E viva vaia
Viva vaia-iá-iá-iá
Viva vaia-iá-iá-iá-iá

Eu aceito o argumento
Um minuto de silêncio
Onde está o morto?
Onde está o surdo?
E que sirva de desfecho
O velho prefácio
De um defundo autor hoje imortal:

Gostaste, bem
Se não gostaste, azeite
"Pago-te com um piparote e adeus"

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Roteiro (Renan versus Renam)

1 - O Conselho de Ética do Senado encaminha à Mesa o pedido de aprofundamento das investigações sobre o caso Renam, o Forte;

2 - Um dos senadores da Mesa recebe o pedido e o encaminha ao presidente da Mesa, senador Renam Calheiros;

3 - O presidente da Mesa, Renam Calheiros pede tempo para analisar o pedido para aprofundamento das investigações do caso Renam, o Forte

4 - Cai o pano. O Senado entra em recesso

Rio pronto para o PAN

Aldemir Martins, Cangaceiro, acrílica sobre tela colada sobre cartão, 1999